Mitos da certificação na ISO 27001


Mário Sérgio Ribeiro (*) Um movimento importante ocorreu nos últimos dois anos acerca da procura e da conquista da certificação de empresas nacionais na ISO 27001, a norma de segurança da informação. Os motivos para tanto talvez pouco importem – Read more

O Porquê de se ter um Gerenciamento de Crise.


Mário Sérgio Ribeiro (*) ________________________________________________________________________________________ Em tempos bicudos, especialmente como esse em que vivemos, considero de extrema importância que qualquer empresa, seja ela pública ou privada, ter um Gerenciamento de Crise implementado.   Infelizmente, uma Crise não anuncia quando vai ocorrer, Read more

Desafios de 2022.


(*) Mário Sérgio Ribeiro Não sou o tipo de profissional que gosta de ficar fazendo previsões no campo que atuo, ainda mais nos tempos atuais, onde a quantidade de variáveis é imensa e haja modelos e cenários para acertar alguma Read more

Não é fácil, mas o que importa é o prazer de fazer o que se gosta.

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(*) Mário Sérgio Ribeiro

Um dia desses fiquei pensando que nesse mês de maio farei 56 anos. Incrível, mas como o tempo é inexorável e parece que nem percebemos seu rápido caminhar. Nessa reflexão olhei minha trajetória profissional e parei para pensar com mais detalhes como me tornei professor e consultor e que me faz um profissional feliz. Alguns dizem que desde muito cedo já sabiam “o que seriam quando crescessem”, mas nem sempre é assim e nem todos as cumprem. Para a grande maioria há um caminho a se percorrer, a se descobrir, às vezes curto, às vezes longo, conflituoso até, mas ao encontrar, certamente um tanto do quinhão da felicidade em sua vida pode acontecer. Garanto que muitos aqui devem estar nesse caminho.

Quando fui estudar engenharia confesso não ter total certeza de que aquela seria a profissão do resto de minha vida. Meu pai não tinha nada a ver com a engenharia, era gerente de um clube. Meu irmão sim é engenheiro e trabalhava com meu cunhado, também engenheiro. Acabei estudando engenharia, um curso que forneceu uma base excepcional e que carrego em minhas atividades.

Importante para essa narrativa é o fato de, ao final do 1º ano do curso de engenharia, surgir um concurso interno na faculdade para vaga de monitor em laboratório de física. Virei monitor de física experimental. Foram quatro anos até me formar como monitor e assistente de professor. Nessa época, aos 18 anos de idade, inicio, sem saber até então, minha incursão no ramo educacional, naquele que tem como princípio básico, compartilhar o que sabe e tomar o cuidado para não falar sobre o que não se sabe.

Formei engenheiro. Trabalhei alguns anos na área. Continuei a estudar depois de formado, concluindo duas especializações. Migrei da Engenharia para a TI (Informática). Comecei a dar aula na área de Tecnologia, conciliando com minhas atividades no mercado. Dentro da TI conheci a segurança da informação, que me levou às suas diversas disciplinas e ao fascinante mundo do risco corporativo e controles internos. Tornei-me mestre em segurança da informação.

Resumi em um parágrafo mais de 30 anos, pois não é meu objetivo ficar aqui narrando minha trajetória profissional e principalmente porque acho muito chato esses detalhes. O que me interessa é dividir com vocês a sensação de como é importante você ser feliz no que faz, saber que construiu com erros e acertos esse caminho e que a trajetória e o legado que se deixa é a grande vitória.

Domenico De Masi em um dos seus brilhantes livros, “O ócio criativo” diz que ao longo da vida uma pessoa em média experimenta quatro atividades profissionais diferentes. No mercado, fui engenheiro civil, gestor em TI, gestor em Segurança da Informação e dono de uma consultoria. Na academia, professor, coordenador e diretor universitário. Logo, estou dentro da estatística do professor De Mais. Vou tentar expressar as duas atividades que exerço e que me torna hoje uma pessoa muito feliz.

Ser Professor

Sou professor desde 1990, portanto, vinte e cinco anos nesse 2015. Se contarmos o tempo de monitor de física, acrescento mais quatro anos. Já fui coordenador e diretor de faculdades de engenharia e computação, coordenador de pós-graduação, etc., trabalhos mais burocráticos; mas, uma sala de aula é única. Confesso que me sinto em casa. Tenho em mim a necessidade de compartilhar aquilo que consegui adquirir de conhecimento e, tanto quanto, aprender com quem está presente na mesma sala.

Conheço diversos amigos que dizem não gostarem de dar aula…não se sentem bem…entre outras tantas. Outros dizem que dão aula para complementar a renda, fazendo muito mais pelo contracheque do que pelo prazer de compartilhar. Aqui uma questão: o dinheiro é importante? Claro, não duvido. Uma atividade profissional exercida sem voluntarismo deve ser remunerada. Ok, mas nessa atividade só o contracheque não é o suficiente. É preciso ter “no sangue” a vontade de compartilhar o que sabe, de perceber que está contribuindo para a formação do outro, de saber que em uma sala de aula existe sempre a possibilidade de aprender. Essa vontade tenho até hoje, passado quase trinta anos. O dia que ela deixar de existir, se é que isso vai acontecer, vou fazer outra coisa de minha vida. Não existe nada pior do que não ver mais o brilho nos olhos de admiração de seus alunos pela aula de seu mestre. Isso não tem preço e provavelmente é um sinal para tirar o time de campo.

Quer um bom argumento para ser professor? Você nunca ficará velho! Isso mesmo!  Hoje reduzi minhas atividades, mas mantenho minhas aulas na pós-graduação da FIA-USP, na ANBIMA e em cursos in-company que ministro pela minha empresa. Na grande maioria dos casos, encontro pessoas bem mais jovens do que eu. Muitas delas poderiam ser meus filhos. Estar junto com o jovem faz você se sentir jovem. Faz você entrar na conversa deles. Faz você aprender as novidades da idade deles. Faz sempre você voltar no tempo. Faz um bem danado para a alma da gente!

Outro ótimo argumento é o de ser professor obriga você a usar o aprender a aprender sempre, a estudar e estudar. Se exercer outra atividade além da acadêmica, obrigatoriamente terá uma base inigualável da Academia para desempenhar muito bem o seu papel no mercado. Essa necessidade constante de aprendizado o fortifica internamente e isso reflete em suas atividades dentro e fora da Academia.

Falo sempre em minhas aulas para meus alunos: se não nasceram rico, não casaram com alguém rico e não tem esperança de herdarem algo, a única coisa que resta a vocês é estudar! Como dizem, podem tirar várias coisas de você, mas o estudo ninguém irá tirar. Indo mais além, oriento a todos a fazerem um mestrado e doutorado. Erradamente do que se fala por aí, mestrado e doutorado não é somente um requisito para dar aula. É um upgrade sem precedente em sua carreira, sendo uma experiência de vida excepcional. Além disso, pode se tratar de outra fonte de renda ou, se desejar, ser a única, rumando para a vida acadêmica de coordenação, direção e outros andares dentro de instituições acadêmicas. Pensem nisso. Oriente os seus.

Enfim, Ser professor é acima de tudo um estado de espírito!

Ser Consultor

Afinal, o que é ser Consultor? Tenho uma opinião bem particular com relação a isso. Penso que Consultor deva ser aquele profissional que alia seu conhecimento e experiência de mercado e da Academia (se possível), com a competência para entender as necessidades de seus clientes e supri-las com o seu trabalho. Para isso deverá ter desenvolvido inúmeras habilidades ao longo de sua carreira, habilidades essas que não tem nada a ver com o conhecimento e experiência, e sim, com outros atributos. Vejamos alguns desses atributos:

  •  Gostar de se relacionar com pessoas e respeitando toda e qualquer diversidade;
  • Ter uma excelente capacidade de trabalhar em equipe;
  • Ter e praticar uma conduta ética e de boas maneiras. Ser exemplo;
  • Ouvir muito, falar apenas o necessário;
  • Compartilhar seu conhecimento de forma simples e transparente;
  • Nunca assumir uma postura de “ban ban ban” do assunto. Você foi contratado para auxiliar a empresa a resolver uma necessidade e não para dar show de conhecimento e de ego;
  • Ter atitude para auxiliar sempre que possível e dentro de suas competências e habilidades;
  • Ter adaptabilidade para trabalhar em diferentes culturas organizacionais;
  • Saber que pessoas são diferentes, umas das outras, e “jogo de cintura” é crucial para desenvolver seu trabalho;

 

Muita coisa? Aparentemente sim, mas é um trabalho fascinante! Ter a oportunidade de ajudar a empresa que o contratou e intrinsecamente, agregar valor ao conhecimento e habilidades das pessoas que lá trabalham com as quais manteve contato, é de um enorme prazer. Perceber que antes do projeto a situação da empresa e das pessoas era X e que depois do projeto concluído evidenciar a evolução para Y, é o requisito primordial para continuar na profissão.

Em cada projeto de consultoria que concluí e/ou que liderei, e onde pude perceber essa evolução da empresa de X para Y, superando em vários casos as expectativas depositadas, a sensação de dever cumprido é fator primordial. Além disso, o valor agregado proporcionado pela chance de compartilhar minha experiência profissional e de vida aos profissionais da empresa com os quais tive contato, sabendo deles que o dia a dia do projeto e seus resultados melhoraram sua condição, acaba tendo um significado que não há como medir e não há preço para isso. Vejo isso como um dos grandes legados do trabalho do consultor.

Como escopo e mesmo sem estar no escopo, o consultor atua como coach de profissionais da empresa. Em vários projetos pude perceber uma grande evolução desses profissionais, pelo simples fato de poder compartilhar do dia a dia de um projeto. Melhoraram as competências técnicas, comportamentais, o espírito de equipe que um projeto solicita, e em muitos casos, o coach do consultor auxilia o profissional a olhar com profundidade, perceber os detalhes, que às vezes não parece muito claro. Os cases do consultor funcionam como um diferencial para os profissionais.

É um trabalho que exige acima de tudo gostar de estar com pessoas, e mais, com as mais diferentes pessoas. Precisa estar preparado para isso. Se agir de forma contrária a essa premissa básica, certamente o projeto naufraga e sua trajetória também. Como já falado, as culturas organizacionais são diferentes, as pessoas de uma dada região agem e pensam de formas diferentes. Desenvolver um projeto em um dado estado do país requer conhecer como são as pessoas daquela região. Umas são mais expansivas, outras menos. É fundamental o consultor estar totalmente preparado para isso.

O trabalho de consultoria exige acima de tudo a premissa de Ser Confiável. Quem contrata uma consultoria não quer confusão para o lado dele (a). Quer alguém em quem possa confiar para realizar um dado trabalho. Quer alguém que ao ser colocado “para dentro de sua casa” irá mostrar competência e inteligência emocional madura, não trazendo problemas para o ambiente. Quer alguém que some valor e não faça conta de subtração. Quer alguém em quem possa aprender mais, e não que tenha que ficar pajeando e ensinando o que fazer, como fazer.

 

Como conclusão, tenho a nítida impressão que ambas as profissões, professor/instrutor e consultor tem um enorme e forte elo. Uma complementa a outra e as duas andam de mãos dadas. Esse elo tem uma palavra chave que as une: Compartilhar! Se você não consegue fazer isso, certamente não terá sucesso em ambas, quiça, em qualquer uma delas. Esse sentimento é o grande motor que impulsiona quem abraçou as duas profissões.

 

Seja feliz. Faça o que gosta e se sinta bem. Esse é o legado que deixamos por aqui.

 

Até a próxima!

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(*) 55 anos, engenheiro, mestre em segurança da informação pela USP. Sócio da ENIGMA Consultoria. Professor da FIA-USP e da ANBIMA. E-mail: mario.ribeiro@enigmaconsultoria.com.br